Julho 16, 2009

Navegar é preciso, viver não é preciso (3)

Havana, Cuba, verão.

Sempre vivi como se fosse interminável. Quero dizer que destruo e refaço tudo continuamente. Jamais pensei que posso acabar louco ou suicida. Talvez seja o hábito de não cultivar, não guardar, não prever.

(Trilogia Suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez)

Junho 08, 2009

Navegar é preciso, viver não é preciso (2)

Isla Negra, Chile, outono.
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Aqui estou
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Limpo é o dia lavado pela areia
branca, e gelada do mar roda a espuma,
e nesta desmedida solidão
sustenta-se a luz do meu livre-arbítrio.
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(Pablo Neruda)

Maio 02, 2009

Navegar é preciso, viver não é preciso (1)


Montevidéo, Uruguai, inverno.
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A ventania
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Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono do nada, dono de ninguém,
nem mesmo dono de minhas certezas,
sou minha cara contra o vento, a contravento,
e sou o vento que bate em minha cara.
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(Eduardo Galeano)

Julho 09, 2007

Sete Pecados (7)

PREGUIÇA
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Ela não quer cobertor para as noites frias de inverno. Não quer banho diário para espantar as pulgas. Não quer comida quente em horário nobre. Não quer sapatos novos prendendo os pés. Não quer corte de crina podando idéias. Não quer documento algum para saber quem é. Ela não quer nada, nem sabe que incomoda. Estorvo alado pronto para voar.
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Junho 24, 2007

Sete Pecados (6)

INVEJA
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Seu órgão sexual exagerado chamava a atenção na vila. Escárnio e desgosto. As castas rezavam a noite inteira pelos pensamentos imperfeitos do dia. Os eunucos se mordiam de ódio, buscando explicações no além. Ele gostava do incômodo que causava. Por isso, dormia nu, ventre voltado para o teto. Janela escancarada, vento rasgando a cortina.
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Junho 03, 2007

Sete Pecados (5)

LUXÚRIA
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Pegue o dinheiro em cima da cômoda e vá conhecer mulher, disse meu pai, enrolando cigarro de palha. Lá fui eu, 13 anos, cabaço espinhado na cara. O casebre não tinha luz elétrica, mas eu sabia que a dona era branca, lampião pendurado na entrada. Hoje ainda faço sexo com donas, sempre na penumbra. Carrego vela no bolso. Gosto de sombras.
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Maio 10, 2007

Sete Pecados (4)

AVAREZA
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Sempre soube de sua paixão por meu homem. Dei corda, deixando a bailarina rodopiar na caixinha de música. Levei-a para a cama dele. Lençol de fio egípcio manchado de sangue na lua cheia de primavera. Fiz dela sua mulher, bodas e alianças. Uma grande festa para selar o amor. Permaneci sendo a outra, presente e constante.
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